Nara Couto reforça laço ancestral entre a Bahia e a África lusófona na ponte intercontinental do álbum 'Travessia'
Nara Couto lança o primeiro volume do álbum 'Travessia' na sexta-feira, 25 de setembro, com sete faixas
Edgar Azevedo / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ A pista
2 horas atrás
Juliana Linhares ganha aval e 'xodó' de Anastácia em luminoso encontro de realezas no show 'Até cansar o cansaço'
Anastácia (à esquerda) participa da apresentação do show 'Até cansar o cansaço' feita por Juliana Linhares no Teatro da UFF, em Niterói (RJ), dentro do f
10 horas atrás
Pabllo Vittar faz feats com o cantor venezuelano La Cruz e o astro italiano Mahmood no álbum 'Lost in lust'
Pabllo Vittar reúne 12 músicas em inglês e/ou espanhol no sétimo álbum de estúdio da cantora, 'Lost in lust', agendado para 1º de outubro
Divulgação
12 horas atrás
Mumford & Sons aprovam Tonico & Tinoco e sertanejo raiz: 'É viciante... eu amo isso'
Mumford & Sons aprovam Tonico & Tinoco: ‘É viciante’
A passagem do Mumford & Sons pelo Brasil rendeu muito mais do que a estreia no festival. No camarim do
15 horas atrás
Segundo álbum de Luiz Melodia ainda é uma 'maravilha contemporânea' 50 anos após o lançamento do LP em 1976
Luiz Melodia (1951 – 2017) tem o álbum 'Maravilhas contemporâneas' (1976) relançado em LP em edição comemorativa de 50 anos
Reprodução / Capa do álbum
Juliana Linhares ganha aval e 'xodó' de Anastácia em luminoso encontro de realezas no show 'Até cansar o cansaço'
Anastácia (à esquerda) participa da apresentação do show 'Até cansar o cansaço' feita por Juliana Linhares no Teatro da UFF, em Niterói (RJ), dentro do f...
21/09/2026 09:08
Juliana Linhares ganha aval e 'xodó' de Anastácia em luminoso encontro de realezas no show 'Até cansar o cansaço' (Foto: Reprodução)
Anastácia (à esquerda) participa da apresentação do show 'Até cansar o cansaço' feita por Juliana Linhares no Teatro da UFF, em Niterói (RJ), dentro do festival Interculturalidades
Rodrigo Goffredo
♫ CRÔNICA
♬ Além de ter entronizado Juliana Linhares como uma das maiores artistas do Brasil pela força do canto teatral da artista potiguar, o show “Até cansar o cansaço” já se impôs como um dos melhores espetáculos feitos no país nos últimos tempos pela alta potência do conceito, do som e da interpretação da cantora e compositora, dona de performance repleta de gestos, inflexões e movimentos cênicos que valorizam o repertório e o vigor vocal de Juliana.
Na estrada desde 16 de julho, a turnê do show “Até cansar o cansaço” (2026) ganhou ponto adicional de luz na noite de ontem, 20 de setembro, em apresentação gratuita que encheu o Teatro da UFF, em Niterói (RJ), dentro da programação da 15ª edição do festival Interculturalidades.
A luminosidade suplementar veio da participação de Anastácia na apresentação. Nascida Lucinete Ferreira no Recife (PE), em 30 de maio de 1940, Anastácia é uma das rainhas da música nordestina. Residente na cidade de São Paulo (SP) desde os 20 anos, a artista está em cena há mais de seis décadas e, atualmente com 86 anos, preserva vitalidade contagiante.
A presença de Anastácia no show “Até cansar o cansaço” simbolizou um aval e xodó de rainha para Juliana Linhares, artista 50 anos mais nova – atualmente com 36 anos – que já ocupa lugar de honra na dinastia da música nordestina, parte fundamental da trilha sonora do Brasil.
Juliana Linhares já é uma rainha contemporânea dessa música popular e brasileira, ecoando, com forte assinatura própria, referências de Anastácia, da pioneira Marinês (1935 – 2007) e sobretudo de Elba Ramalho, cantora da qual Juliana é sucessora, inclusive por também ser atriz, como Elba.
Anastácia (à esquerda) e Juliana Linhares cantam músicas como 'Eu só quero um xodó' (1973) e 'Vida virada' (2026) no Teatro da UFF
Rodrigo Goffredo
No palco do Teatro da UFF, Anastácia e Juliana Linhares trocaram amabilidades e elogios, mas, como Anastácia, sublinhou, não foi mero confete, não. Havia ali uma admiração mútua, uma reverência sincera entre cantoras de diferentes gerações, mas que dialogam pela vivacidade rítmica da música da nação nordestina.
O encontro de realezas rendeu quatro números com Anastácia. O primeiro foi feito na pisada do baião “Vida virada” (Juliana Linhares, Josyara e Elisio Freitas, 2026), música que Juliana Linhares gravou com Anastácia no álbum “Até cansar o cansaço” (2026). Com alto astral, Anastácia brincou com o fato de ter se atrapalhado com a letra da música, completada por Juliana, sempre atenta aos sinais.
Na sequência, já sem precisar ler a letra escrita por ela mesma, Anastácia cantou “Sanfona sentida” (1973), primeira das três parcerias da artista com Dominguinhos (1941 – 2013) que entraram no roteiro da apresentação excepcional – em todos os sentidos – do show “Até cansar o cansaço”.
“Sanfona sentida” foi lançada em disco por Dominguinhos em registro instrumental feito para o obscuro álbum “Tudo azul” (1973). Mas coube a Luiz Gonzaga (1912 – 1989), rei vitalício da nação musical nordestina, apresentar há 50 anos a letra escrita por Anastácia em gravação feita para o álbum “Capim novo” (1976).
Em seguida, a cantora reviveu com Juliana as duas músicas mais populares da parceria de Anastácia com Dominguinhos, “Tenho sede” (1975) e o xote “Eu só quero um xodó” (1973), ambas apresentadas ao Brasil na voz de Gilberto Gil. Esses dois sucessos voltaram no bis, momento em que Juliana Linhares deu literalmente flores em vida para Anastácia.
O bis estendeu o encontro luminoso e significativo de Juliana Linhares com Anastácia, cantoras que, em diferentes épocas e gerações, pagaram para ver a liberdade de serem rainhas da própria vida e da própria música, vivendo a vida virada na estrada e acendendo fogueiras nos cantos que doem.
Anastácia (à esquerda) recebe flores de Juliana Linhares ao fim do show 'Até cansar o cansaço'
Rodrigo Goffredo